jueves, 25 de marzo de 2010

sobre ausencia não consentida



É difícil lidar com a saudade.
Principalmente esse tipo de saudade que não vai terminar num encontro, num abraço, num monte de beijos, num montão de novidades pra contar, numa vozinha no telefone.



Eu nem sei se eu chego a lidar com a minha ou sigo fingindo que ela não existe , eu poderia imaginar que ele segue lá, indo pra escola, fazendo aulas de violão, ouvindo as musicas que ele gostava, imaginar ele convidando seus amiguinhos pra ir na casa dele, imaginar ele tirando uma soneca depois do almoço ou ir nas aulas com a Vânia no fim do dia. Eu podia imaginar ele indo pescar no fim de semana, imaginar ele pedindo pra sentar no banco da frente do carro e andar pela casa levando o rádio e a extensão. Imaginar ele no seu mundinho e fingir que nada mudou.
Mas um clic de alerta já estava aberto no meu coraçao desde que eu me despedí deles em janeiro,
eu voltei pra casa, no fim de férias com meus filhos, sentindo uma saudade absurdamente dolorida
e
não entendia porque desta vez doía mais.
E pior: continuou aumentando.



Nos últimos dias eu percebi que toda vez que ela aperta dentro do meu peito e começa a gritar comigo, me deixando surda de dor, um ódio do tamanho do mundo parece que quer sair de mim. E aí eu xingo e sinto raiva e isso cala um pouco a boca da saudade.



Não é à toa que o ódio é o sentimento que aparece quando ela começa a ficar sufocante.



Ódio que é o sentimento mais complementar ao amor, e não o mais contrário.
E eu tenho ficado odiosa em vários momentos dos meus dias....



E amanhã só faz duas semanas. E ele me prometeu que a gente se encontraria nas proximas férias, que ele iria lá na minha casinhase e eu fiz planos e agora o que dói não é não poder cumprir esses planos, o que dói é essa ausencia não consentida, essa ausencia de pra sempre, nunca, jamais.

E agora que eu preciso fechar essa gavetinha do meu coraçao pra seguir em frente e tenho medo de fechá-la porque sei que não vai caber tudo dentro e sei que vou ter que abrí-la de novo.

e agora, o que eu faço?

1 comentario:

Dani Garlet dijo...

eu queria tanto.... mas tanto, que nem sei o tamanho do tanto te ajudar e te responder...
mas é uma dor que só você como uma maravilhosa e carinhosa que és pode explicar e poder dimensionar...

eu estou aqui desse lado do mundo de meu deus para te ler, te ouvir e emanar energias...

o que vc faz?
não faz nada que tudo acontecerá em teu coração no devido tempo.

te amo.